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Trinta e cinco graus – Brasília, 2020

PERFIL

Aghata Gontijo

"Ele (o projeto) é um começo para mim. É a minha chance de acreditar no meu processo e nas coisas que eu tenho dentro de mim."


Pouco tempo após produzir a sua audiozine "trinta e cinco graus", entrevistamos Aghata sobre o seu processo de criação e também da sua vivência criativa. Descubra abaixo todos os detalhes.

Pra começar, o que faz você ser você em poucas palavras?

As minhas decisões.

Como foi o processo de criar durante uma quarentena?

Na quarentena, trancada em casa, o tempo passa de forma diferente. As interações com as pessoas também, é quase como se nada estivesse acontecendo de verdade, para valer. Então, enquanto eu estive produzindo, era como se eu não tivesse a noção exata do que eu estava fazendo, dos prazos, das pessoas envolvidas em tudo. Mas ao mesmo tempo, eu tive muito espaço para me dedicar ao processo e ao que eu queria colocar no papel, nos sons. Foi satisfatório e gentil, quase como criar somente dentro da sua cabeça.

E como surgiu a ideia da audiozine?

Eu fui ao supermercado, pois é o único lugar que eu posso frequentar estando em quarentena completa, e percebi que muita coisa soava, sentia e parecia diferente. Então eu tive a ideia de documentar isso de alguma forma e também de experimentar com essas sensações e imagens que me tocaram.


"Tenho visto muitos artistas que fazem projetos que, a primeira vista, podem parecer inúteis ou sem lógica"


O que tem te inspirado nesses últimos dias de quarentena?

Tenho me inspirado bastante no processo criativo de artistas diversos, no sentido de que eu busco ver a motivação dos seus trabalhos para me incentivar a criar. Tenho visto muitos artistas que fazem projetos que, a primeira vista, podem parecer inúteis ou sem lógica para entender a importância de se fazer algo sem a pressão de produzir sempre coisas cheias de significado e utilidade.

Qual a sua primeira lembrança de ter criado algo?

Quando eu era pequena, não sei bem a idade, eu tinha o costume de me "fantasiar". Eu criava personagens e realidades para mim, como a maior parte das crianças, e eu considero que esse foi o meu primeiro processo de criação. De criar identidades e vidas para mim.

Em que momento você começou a criar e realizar projetos pessoais?

Recentemente apenas. Antes eu até criava, mas era sempre a partir de uma necessidade existente. Eu criava porque eu precisava. Recentemente eu tenho me permitido dar vida aos projetos que não têm exatamente um propósito, são apenas coisas que eu quero fazer para me expressar.

"Mergulhar um pouco no universo de todas essas pessoas com certeza me acrescentou muito."

Como é criar pra ti? Seu processo, sentimentos...

Eu gosto muito de ter ideias, mas criar para mim é um processo um pouco difícil. Eu penso em algo para realizar e muitas vezes a ideia não passa pelas minhas próprias críticas e racionalizações. É uma batalha complicada, mas ainda é possível criar quando eu consigo deixar minhas dúvidas de lado.

Qual significado esse projeto tem pra você?

Ele é um começo para mim. É a minha chance de acreditar no meu processo e nas coisas que eu tenho dentro de mim.

Como você se sente em relação ao resultado que você obteve com o zine?

Eu fico muito feliz de poder ter a oportunidade de conhecer as coisas que eu conheci através do projeto, tanto em mim quanto fora de mim. Foi muito incrível ouvir outros artistas falarem sobre como é criar para eles. Mergulhar um pouco no universo de todas essas pessoas com certeza me acrescentou muito.

Como você imagina teu projeto sendo visto no futuro?

Eu espero que seja interessante para as pessoas. Espero que produza algum eco dentro delas e que, de uma forma ou de outra, a experiência fique com quem usou um pouco do projeto.


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