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PERFIL

Bruno Kowalski

"uma exploração divertida da vida durante a pandemia"

Poucos dias após produzir a sua série de obras "Cripta", entrevistamos Bruno sobre o seu processo de criação e também da sua vivência criativa. Descubra abaixo todos os detalhes.

Como foi o processo de criar durante uma pandemia?

Foi interessante, me deu uma sensação melhor de rotina por ter um prazo. Consegui me dedicar bem ao trabalho porque não tinha muitas demandas de fora também, o que foi um facilitador pra esse processo.

Em que momento você começou a criar e realizar projetos pessoais?

Durante o ensino médio eu estudei em uma rede de escolas públicas de São Paulo chamada ETEC. A minha, a ETEC Lauro Gomes, tinha uma relação muito grande com liberdade e com arte. Todo ano os alunos de todas as turmas podiam se dividir em grupos e planejar um projeto artístico. O projeto podia ser qualquer coisa, uma peça de teatro, uma apresentação de ballet, um show da sua banda cover de NX Zero. Cada grupo conseguia uma sala da escola pra ocupar e durante a segunda semana de outubro todas as aulas eram suspensas e nós tínhamos que apresentar nossos projetos em três sessões por dia pra todos da escola que quisessem ver (e o público era enorme, todos os alunos adoravam essa semana).

O nome do evento era Semana da ETEC.No segundo ano do ensino médio eu escrevi uma releitura de Chapeuzinho Vermelho do ponto de vista do Lobo Mau. Eu fui o roteirista, o diretor, o cenógrafo, cuidei da música, dos efeitos especiais, do figurino e fui o ator principal. Pois é, não tenho como me explicar. No ano seguinte, o último ano, escrevi outra peça sobre um diretor de teatro que tenta comandar uma equipe desfuncional. De novo ocupei todas as funções que eu pude e fui o ator principal.Depois disso acho que aceitei meu estado de artista megalomaníaco e segui gravando alguns curta-metragens, escrevendo alguns contos, tirando algumas fotos...

O que tem te inspirado nesses últimos dias e que você gostaria de compartilhar? pode ser uma música, um livro, uma frase...

Ultimamente tenho ouvido muito funk carioca! Ótimo pra fazer qualquer coisa. A música que eu recomendo é Vai Luan, Rainha Dos Faixa Preta, da cantora Gabily.



Hoje, como é seu processo?

Geralmente meu processo criativo envolve muita improvisação, eu nunca sei muito bem aonde ir ou qual o meu objetivo específico criando alguma coisa, tento só manter a cabeça aberta pra testar tudo que der na telha e, quem sabe, chegar a finalizar uma obra (coisa que às vezes não acontece).

Passeio por muitos meios diferentes: escrevo, planejo instalações, faço vídeos, imagens 3d, penso em filmes, exploro materiais; tenho uma produção muito tentacular. Isso é uma coisa que me incomoda um pouco, não sinto que eu tenha uma linha de pensamento artístico muito consistente e acho difícil pensar em um estilo específico pra me encaixar. Isso torna difícil a criação de um portfólio coerente e a minha aceitação em espaços de arte convencionais (em que geralmente um/a autor/a trabalha um tema específico em um meio artístico específico exaustivamente até o fim), ou até mesmo em espaços de arte underground (em que existe um senso de união estética, de seguir um caminho trilhado coletivamente, uma coerência dentro do movimento).

"Sei que soa meio clichê, mas não consigo passar dias e dias sem criar nada"

Às vezes tenho a impressão de que isso é uma forma de imaturidade artística, que é falta de disciplina, falta de engajamento comigo mesmo; às vezes acho que é uma maneira normal de agir sendo influenciado pelo contemporâneo, aceitando o fluxo de informações bizarro que nos atravessa incessantemente. Fico mais tranquilo com a última opção, pensando que sou eu o mais desenvolvido e não os artistas-autores-estilo-século-xix-super-atrasados que expõem por aí. Acho que só o futuro dirá.

Apesar disso, continuo fazendo o que quero fazer por compulsão, por vício mesmo. Sei que soa meio clichê (acho que eu sou um clichê), mas não consigo passar dias e dias sem criar nada, fazer algum tipo de obra é minha maneira de passar o tempo livre, de expressar alguma imagem que tenho dentro da minha cabeça, de me divertir, de descansar, é uma coisa que faz parte da minha rotina. Talvez algum dia exista um espaço pra gente incoerente no mercado da arte, quem sabe? Enquanto isso sigo sendo essa coisa amorfa (com dedicação).

Como surgiu a ideia da série "Cripta"?

A ideia surgiu da vontade de desenvolver algum trabalho interativo que girasse em torno da ocupação do espaço digital. Pirataria é uma parte muito interessante da vida na internet e uma parte integral da vida em países subdesenvolvidos, então pensei em piratear imagens de espaços físicos do Google Street View e fazer intervenções digitais nelas. O resto do processo foi baseado em improviso, como disse anteriormente, bastante experimentação e muitos testes.

Qual significado esse projeto tem pra você?

Foi interessante, me deu uma sensação melhor de rotina por ter um prazo. Consegui me dedicar bem ao trabalho porque não tinha muitas demandas de fora também, o que foi um facilitador pra esse processo.

É meu primeiro projeto mais bem-estruturado e que teve um planejamento prévio e um significado previsto, algo mais objetivo e centrado. Me diverti bastante enquanto o fazia e, mesmo sendo muito crítico em relação às coisas que eu crio, sinto que é um conjunto de obras minimamente interessante. Acho que é algo que me passa um pouco a sensação da passagem da carta valete de pentáculos pra cavaleiro de pentáculos no baralho de tarot, gosto disso.

Como você imagina teu projeto sendo visto no futuro?

Como uma exploração divertida da vida durante a pandemia.

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Acompanhe mais projetos do Bruno em seu instagram @krunobowalski

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