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E us pretes? – Brasília, 2020

PERFIL

Mel Colonna

"esse documentário é um grito de vários jovens pretos de várias partes do DF e entorno [...] esse projeto significa o suspiro de jovens pretos na quarentena"

Pouco tempo após produzir o documentário "E us pretes?", enviamos algumas perguntas para Mel sobre o processo de criação e a sua vivência criativa. Descubra abaixo todos os detalhes.

Como surgiu a ideia do documentário?

Estávamos pensando em algo que fosse relevante para comunidade preta sabe? E bom, a gente sabe que nessa pandemia quem mais tá sendo afetado é o povo preto, infelizmente são eles que menos estão tendo voz, então pensamos em alguma forma de dar  voz a essa galera, para que as pessoas possam ouvir de forma simples e sem muito rebuscamento a nossa realidade.

Pra você, como foi esse processo de criar durante uma quarentena?

Foi uma loucura, uma loucura boa e uma explosão de sentimentos e opiniões. Bem no meio do processo de criação rolou uma tragédia no movimento negro, uma atrás da outra e nossa equipe ficou bem abalada, sem conseguir produzir, mas ao mesmo tempo também foi um momento muito acolhedor, pois todas as reuniões e correrias pra continuar produzindo, a gente percebia que tinha um ao outro pra contar, então nos acalmava muito e nos dava força. Uma experiência que foi muito única, e definitivamente me surpreendeu.

Como você se sente em relação ao resultado que vocês atingiram?

Fico muito feliz, foi resultado de muito esforço de várias pessoas, em diversas condições financeiras e realidades sociais diferentes, apesar de sermos todes pretes, ainda  temos muitas divergências entre nós, principalmente de rotina, então (fico feliz de) ver todes trabalhando em conjunto.


O que tem te inspirado nesses últimos dias?

O projeto ConexãoAfro, foi inspirado na música amerELO do Emicida, mas depois de um tempo toda ideologia do álbum amarELO começou a fazer parte também. Esse álbum vem me inspirado muito nos últimos dias, e nesse momento que estamos passando sabe.

Como é criar pra ti? Seu processo, sentimentos...

Confesso que tenho certa facilidade pra criar, eu sento e penso: Preciso de ideias pra objetivo X, e vem um turbilhão de ideias na minha cabeça, as vezes sai 5, 6 projetos de uma vez, enquanto eu anoto tudo em um caderninho, depois coloco numa pasta no drive pra não perder nada, também comento com alguns amigos pra aprimorar mais as ideias.Também tem aquelas ideias que vem do nada, estou sentada e do nada vem alguma ideia, acho que no fim, meu cérebro sempre tenta trabalhar pra resolver problemas, e essas soluções muitas vezes resultam em projetos.

Você é relativamente jovem, mas conta pra gente qual a sua primeira lembrança de ter criado algo?

Poxa, essa é engraçada, quando era pequena, minha mãe tinha comprado vários pompons na lojinha de 1,99 para uma cantata que estava organizando, acho que eu tinha  6 ou 7 anos e tive vontade de montar um grupo de líderes de torcida haha. Perguntei para as diretoras se podia, elas responderam, achando que eu estava apenas brincando que iria ser "o máximo!". Lá fui eu levar todos os pompons pra escola, chamei várias meninas na hora do recreio, devia ter umas 10 ou 15, todas foram participar do grupo de lideres de torcida que eu tinha criado haha, todas seguindo meus passos. No final do primeiro ensaio, eu disse "olha, tragam 5 reais que vou comprar os pompons pra vocês". E não é que no dia apareceram várias me dando 5 reais? Não demorou muito tempo, fui chamada para a direção, falaram que tinham pais ligando perguntando que grupo de líderes de  torcida era aquele? Hahaha Mandaram eu devolver o dinheiro, parar com os ensaios que não era assim que as coisas funcionavam. Hahaha, mas bom tudo que eu pensava eu não conseguia deixar parado, eu tinha que executar, nessa mesma época também programei um baile de máscaras, esse deu certo, meus pais estavam juntos e apoiaram a ideia haha.

"tudo que eu pensava eu não conseguia deixar parado, eu tinha que executar"

Bom, desde muito jovem você tem feito algumas ideias, em que momento você começou a criar e realizar projetos pessoais?

Bom, é engraçado porque desde de pequena, como vocês viram os relatos, sempre tentei criar e realizar projetos. Mas com 12 anos, as coisas ficaram mais sólidas haha, eu fundei meu primeiro projeto, fábrica da alegria, um projeto de jovens e adolescentes que faziam visitas em hospitais, creches, asilos...O motivo era simples, dar a oportunidade de pessoas mais novas também poderem fazer o bem, ai com 16 eu fundei o ConexãoAfro, um projeto qu visa unir pessoas pretas.

Qual significado esse projeto tem pra você?

Foi uma produção em conjunto com outros jovens pretos, compartilhamento de realidades e de sentimentos, eu espero que vocês possam entender e compreender a nossa mensagem, esse documentário é um grito de vários jovens pretos de várias partes do DF e entorno, pessoas que passaram a madrugada estudando pra dar um conteúdo bacana, muito além de somente a vivência, esse projeto significa o suspiro de jovens pretos na quarentena.

Como você imagina teu projeto sendo visto no futuro?

Poxa, espero que ele seja usado pra quando formos relembrar o momento de quarentena como os jovens pretes estavam se sentindo nesse momento.


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Acompanhe mais projetos da Mel em seu instagram @memelcol e em @projetoconexaoafro

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